terça-feira, 20 de setembro de 2011

Três Barras e Canoinhas, o extrativismo continua

     Hoje fui a Três Barras e Canoinhas, municípios que não visitei na expedição do ano passado. Acorde às seis horas sob o efeito sonoro de Chiquitita, do ABBA. A sonzeira da chuva e da trovoada cessara, quem atacava de DJ agora era, como em setembro de 2010, o padre Lídio. Saí de Ccaçador às 7h30 e o termômetro indicava 15º. Bastou sair da cidade que a chuva recomeçou. Até Calmon ela era uma garoa que variava entre fina e muito fina. Os trinta quilômetros até a cidade que leva o nome de um baiano foram rapidamente vencidos porque quase não encontrei carros no caminho. Sim, Calmon é uma homenagem ao baino que foi ministro da Viação e Obras Públicas do governo Afonso Penna. O lugar se chamava São Roque e teve o nome mudado por divina inspiração do bom moço da Bahia. Vale lembra que o americano Charles Gauld - autor de Farquhar, o último titã -  acusa Calmon de ser astuto e corrupto. Uma placa me chamou a atenção: Calmon, capital da hospitalidade. Quando cheguei a Matos Costa o chuvisco recém havia parado. Estacionei em frente ao museu para conversar com a historiadora Joseti. O estabelecimento estava fechado. Perguntei na casa em frente e me informaram que ela falecera no mês passado. Entristecido pela perda, deixei a cinzenta Matos Costa para trás. A cerração foi ficando cada vez mais densa. Os mais de 1200 metros de altitude fazem da antiga São João do Pobres uma pousada para o nevoeiro.
Museu de Matos Costa acizentado pelo nevoeiro

Esta era a visão que eu tinha de dentro do carro
     A medida que descia a serra, o nevoeiro e a chuva deram uma trégua. Foram substituídas pelos buracos na estrada. Cheguei em Três Barras às 9h55 e conferi a temperatura - 15º. A cidade foi sede da Madeireira Lumber e até hoje não conseguiu se desatrelar do extrativismo florestal. A antiga estação ferroviária deu lugar ao museu do Contestado. Em frente fica o quartel do Exército Brasileiro, ocupando a área que pertencia a Lumber. Alguns prédios do tempo da madeireira ainda estão de pé. A visitação ao local só pode ser feita com agendamento prévio e sempre sujeita ao humor do comandante. 
Antiga estação, hoje museu
Casa remanescente da Lumber - quartel do exército
Antigo escritório central da Lumber
Depois fui a Canoinhas encontrar o historiador Fernando Tokarski, autor de Cronografia do Contestado. Estudioso do Contestado desde o início dos anos 1980, Tokarski é referência na região. Ele guiou-me por alguns lugares da Canoinhas do início do século XX.
Fernado Tokarski
Casarão do início do século passado - arquitetura americana
Casa do início do século passado - tempo da guerra do Contestado
O que resta do marco do Contestado (ver postagens da expedição)
Estação de desembarque das tropas do exército que lutaram no Contestad
Cruz plantada por São João Maria em Canoinhas
Às 17h me despedi de Fernando Tokarski e voltei para Caçador. Cheguei às 19h30, depois de percorrer 157 km. No total, rodei cerca de 400 quilômetros.

4 comentários:

  1. Ola, nao se se voce chegou a fazer amizade com o Tokarski,se ja o conhecia etc. Mas te digo uma coisa,nao va pela conversa dele,ele diz muita coisa erradanao sei se é por,ou sem querer,mas muita coisa que ele fala é errada.

    ResponderExcluir
  2. A cidade tem uma historia linda,pena que nao muito bem preservada,mas mesmo assim vale a visita.

    ResponderExcluir
  3. Olá, peço, por gentileza, que entres em contato comigo pelo gileadmauricio@gmail.com, quem sabe poderei usar tuas informações no livro que ora escrevo. Teu nome será preservado. Abraço.

    ResponderExcluir
  4. Em 22/03/2013 foi lançado em Balneário Piçarras/SC, um livro sobre a História do Contestado. Muito interessante. Fala em números de árvores cortadas, geografia, botânica, curiosidades, história, aviação, etc. Inclusive de que o Farquard, dono da maior serraria da América Latina, morreu na miséria.

    ResponderExcluir